mulheres e tecnologia

No último dia 14 de setembro, o site de notícias norte-americano Mic publicou uma notícia que causou choque. E-mails vazados de dentro da Apple, escritos por seus próprios colaboradores, falavam sobre um “ambiente tóxico” para as mulheres, onde supostamente rolam até piadas sobre estupro.

Leia também:
» Anyssa Ferreira: “Não tenha medo de programação. O código é só mais uma forma de imprimir o design”
» Thais Fabris: “Hoje podemos optar por outros modelos de trabalho”
» Cris Bartis e Juliana Wallauer: “Uma democracia será tão boa quanto o jornalismo que tivermos”

As conversas de e-mail que chegaram até a Mic alcançam 50 páginas e foram definidas pelos próprios funcionários como um chamado de atenção para algumas políticas da empresa. Os e-mails ainda descrevem mulheres sendo impedidas de ocupar cargos de liderança. Foram encontrados também outros tipos de assédio que são ignorados quando reportados.

Quando procurada pelos repórteres da Mic, a companhia preferiu não comentar o assunto em específico, mas lançou uma nota oficial dizendo que “preza por tratar as pessoas com dignidade e respeito”.

Que o mundo da tecnologia é dominado por trabalhadores do sexo masculino, não é nenhuma novidade. Contudo, esta notícia particular gerou um mega burburinho por envolver a Apple e até seu CEO, Tim Cook. Admirado por ser abertamente gay, Cook alegadamente não respondeu e-mails de mulheres que o escreveram diretamente para falar sobre o assunto.

No meio das especulações e à espera de um posicionamento mais incisivo da empresa sobre as denúncias, o episódio joga luz em um importante movimento: o de mulheres que trabalham em grandes companhias de tecnologia e que, cada vez mais, quebram o silêncio e se organizam.

Grupos sobre mulheres e tecnologia

Numerosos grupos de mulheres, principalmente nos EUA, estão se formando com o objetivo de dar suporte umas às outras de diversas maneiras. O legal aqui é que o que move essas mulheres não é criar burburinho. Elas o fazem quando é preciso, mas o foco está em realizar encontros de networking e palestras de empoderamento feminino, apoiar as garotas recém-chegadas na indústria e deixar tudo menos “tóxico”.

Se você se interessa pelo assunto, continuaremos falando sobre o tema mulheres e tecnologia aqui no Tutano. Mas você pode acompanhar a atuação de algumas dessas organizações pelo Facebook.

Na gringa

  • Astia Global: iniciativa que incentiva mulheres a participar ativamente do desenvolvimento de negócios inovadores e de impacto econômico.
  • Anita Borg Institute: baseado em Palo Alto, Califórnia, o instituto se dedica a aumentar o impacto das mulheres na tecnologia.
  • Girls in Tech: organização global sem fins lucrativos que atua pelo empoderamento de meninas de diferentes nacionalidades para que elas iniciem carreiras de tecnologia.
  • Girl Develop It: plataforma que divulga oportunidades para mulheres adultas aprenderem desenvolvimento para web e softwares.
  • Hackbright Academy: escola que oferece um curso de desenvolvimento de 12 semanas, em São Francisco, Califórnia.
  • Women 2.0: também baseada em São Francisco, o Women 2.0 é uma companhia de mídia, facilitadora da comunidade local de mulheres na indústria da tecnologia.
  • Girl Geeks: este grupo é para mostrar às meninas, desde cedo, como é cool ser geek.

Brasil e América Latina

  • Indique uma mina: notícias e boas práticas que ajudam a empoderar mulheres e fortalecer sua atuação no mercado de trabalho.
  • Girl Geek Dinners Brasil: grupo que organiza e realiza eventos para mulheres no setor de tecnologia.
  • Ellas al Cuadrado: consultoria gratuita para mulheres empreendedoras da economia digital

Esse texto é uma colaboração de Leticia Resende. Caso você também queira colaborar com conteúdos, entre em contato pelo e-mail tutano@trampos.co.

Confira os trampos na área de TI

DEIXE UM COMENTÁRIO