“Cada vez mais percebo que sucesso só existe no coletivo”

2015-08-04_ping-pong-Bel-Pesce

A persistência sempre acompanhou Bel Pesce. Quando descobriu o modelo de educação do Massachusetts Institute of Technology (MIT) decidiu que era onde queria estudar. Mesmo com o rigoroso processo seletivo já em andamento, se esforçou para conseguir sua aprovação. A obstinação foi o ponto de partida para a paulistana de 27 anos empreender desde criança.

No Vale do Silício, co-criou startups, passou por empresas como Microsoft, Google e Deutsche Bank. Hoje, nove anos depois de receber a cartinha de ingresso na universidade, Bel já escreveu três livros e criou a FazINOVA, escola que pretende desenvolver o talento dos brasileiros com cursos gratuitos sobre empreendedorismo.

Bel dedica-se a viajar por aí para contar sua história e iniciar novos projetos. Oferece dicas e ressalta que o empreendedorismo tem percalços que são muitas vezes minimizados pelo romantismo de quem se apaixonou por empreender. Acredita que as pessoas certas são o fator chave para a construção de qualquer empresa. Confira a conversa completa:

 1. Atualmente, como é sua rotina?

Cada dia é muito diferente. Mas normalmente eu acordo às 5h da manhã. Às 5h30, faço exercícios. Depois volto, tomo um banho rápido. Porque das 7h às 9h é um momento muito especial, já que a maioria das pessoas não está trabalhando ainda e eu consigo adiantar muito trabalho. É o momento que tenho comigo mesma. Meu dia é longo, pois acabo trabalhando até a meia-noite, só que eu amo muito o que eu faço. Então não sinto que é trabalho. Nesse período acontecem muitas coisas, tanto reuniões, gravações na CBN ou vou dar uma palestra. Mas na maioria dos dias acompanho todos os projetos para me certificar que tudo está saindo da melhor maneira que podemos fazer. Eu amo isso, amo gerir pessoas. E cada dia é diferente na minha rotina.

2. Qual é o fator mais importante para colocar em prática projetos pessoais?

Acho que a gente subestima o quanto algumas habilidades comportamentais são importantes. Perseverança, resiliência, determinação, dedicação. Todos esses fatores comportamentais são muito importantes, porque te ajudam a não travar. Quando você trava, perde o primeiro passo.

3. Alguma viagem favorita recente?

Eu amo viajar. E dou muita palestra no Brasil e em outros países, por isso, viajo muito. Já fui para 37 países. O lugar mais lindo que visitei em todo minha vida foi Fernando de Noronha. Recentemente, fiz uma viagem ao redor da Ásia: Singapura, Tailândia, Indonésia. Foi fantástico. A experiência do mundo asiático é muito diferente da ocidental. Por isso, amei essa experiência. É uma nova maneira de ver o mundo.

4. Como a interação com outras pessoas ajuda na construção dos seus projetos?

É essencial. Cada vez mais percebo que sucesso só existe no coletivo. Você pode se virar e criar algo sozinho, mas te garanto que fazendo com as pessoas certas, você teria feito melhor. Pessoas são tudo. Eu amo trabalhar com pessoas. E quanto mais eu faço coisas, mais eu percebo que o meu grande desafio nos projetos é criar equipes que se dão bem, que tomam pra si o sonho.

5. E como você percebe o efeito do seu trabalho nas outras pessoas?

Pra mim, empreender é criar produtos ou serviços que podem tocar vidas positivamente. Percebo esse efeito de diversas maneiras. Em um cliente, um aluno da FazINOVA, percebo quando ele está evoluindo nos seus projetos e tem o brilho no olho como nunca teve na vida. Em uma palestra, percebo o efeito pelas perguntas que são feitas ao final, pela fila para conversar depois, pelo semblante no rosto durante a fala. O efeito dos livros percebo pelas interações, pelos e-mails que recebo. Mas a melhor forma de perceber é pela energia boa das pessoas que estão junto no seu trabalho.

6. As suas atuais plataformas favoritas.

Atualmente, estou viciada em Periscope. Acho a melhor plataforma já criada em termos de interação, acho genial. O Snapchat é muito poderoso também.

7. Quais atividades você gosta de fazer, além de trabalhar muito?

Estou com um projeto de vida saudável que eu até transformei em site. Descobri que amo correr, fiz minha primeira meia-maratona recentemente. Gosto muito de assistir filmes ou ir a shows. E amo sair para comer com os amigos: jogar papo fora e experimentar comidas, conhecer lugares novos.

8. Para quem você escreveria uma carta a mão?​

Para alguns dos meus mentores. Também para os meus pais. E adoraria escrever uma carta a mão para quem mais precisa receber uma carta a mão: alguém que esteja doente, sozinho. Não seria só para quem sei que já me ajudou, mas para quem precisa.

9. O que você está lendo?

Acabei de ler Criatividade S.A., de Ed Catmull, que fala sobre a Pixar. É incrível. Nesse momento, estou lendo Oportunidades Disfarçadas, do Carlos Domingos que é um livro brasileiro fantástico.

10. Uma dica para quem está começando a empreender que você gostaria de ter ouvido no começo.

Eu acho que às vezes empreendedorismo é romantizado. As pessoas falam de alguns pontos como se fosse mais bonito do que realmente é. É lindo empreender e criar a partir de coisas que você ama, é lindo ver o resultado, mas é muito difícil o caminho. Tem muito soco no estômago, porque as pessoas são complexas. O dia a dia é pesado como empreendedor. Gostaria de ter aprendido a real antes, porque errei muito quanto a isso. Não percebia que algumas pessoas não tinham nada a ver com a minha cultura e eu trazia para trabalhar junto comigo. Acho que isso já melhorei bastante, a gente toma uns tapas na cara e melhora. No começo, queria ter aprendido mais sobre a importância desse foco em pessoas.

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