“Para o empreendedor, o trabalho não pode ser apenas um trabalho”

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Quem persegue histórias de empreendedorismo, superação e inovação já deve ter se deparado com o nome de Marco Gomes, fundador da boo-box, empresa de tecnologia para publicidade e mídias sociais que hoje alcança 60 milhões de pessoas, com 700 mil sites. Apesar dos 29 anos, o caminho de Marco até aqui foi longo.

Nascido em Gama, cidade periférica de Brasília, frequentou escola pública e conviveu com os mais diversos problemas sociais desde criança. Mas descobriu, aos oito anos, que gostava de computadores, peças; montar e desmontar. Naturalmente, aos 14, aprendeu a programar e seguiu um percurso de sucesso, já fora das estatísticas perigosas que muitos dos seus vizinhos foram incluídos. Mas não se acomodou com um bom emprego. Preferiu arriscar para abrir seu próprio negócio. Migrou para São Paulo, iniciou a boo-box e tantos projetos que notabilizam Marco como uma referência para quem está começando.

Hoje, além de prêmios que vão do “geek do ano” ao título de “visionário da tecnologia”, Marco é personagem de livro (leia um trecho aqui) e tem disposição para tratar de qualquer assunto, de religião à política. Neste bate-papo, falamos sobre suas atuais atribuições, livros que inspiram e aprendizados que só chegam com o tempo. Confira:

1. Como é sua rotina hoje?

Vou para a boo-box frequentemente, mas não tenho rotina. Minha função hoje está mais ligada à gestão de parceiros, em gerar oportunidades. Todo o trabalho operacional está concentrado nos 40 colaboradores que ficam alocados na empresa. Sempre tenho um almoço, um evento ou uma viagem.

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Ambiente de trabalho na boo-box, em São Paulo

2. Como é sua relação com o trabalho?

Para quem é empreendedor, o trabalho não pode ser apenas um trabalho. Faço o que gosto e frequentemente trabalho remoto. Gosto bastante de não ter essa rotina, horários. Me desgastei muito no início da empresa. Hoje, minha relação com o trabalho é muito mais saudável.

3. O que é mais importante para compor o seu ambiente de trabalho?

Silêncio, quietude e organização são muito importantes para a minha produtividade.

4. O que te motiva a participar de tantas palestras e eventos muitas vezes com auditórios cheios?

O garoto que já fui e ver pessoas que me inspiram. Tenho consciência que uma frase muda tudo, pode mudar a vida de uma pessoa. Também gosto de ir em eventos e ouvir pessoas com mais experiência. Tento fazer a diferença, nem sempre é fácil, mas acho que o importante é trazer mais reflexão do que informação.

5. Em uma equipe crescente, como você enxerga seu papel de fundador?

Meu papel hoje é de ajudar a atrair talentos. Queremos sempre as melhores pessoas por perto e muitos profissionais procuram saber a história de como tudo começou, por quem começou. A trajetória do fundador é um fator que ajuda a decidir na vontade ou não de trabalhar em uma empresa. Também aprendi que a motivação é uma porta que se abre por dentro, é um processo individual. Quem não estiver motivado, provavelmente sairá da empresa. Me considero um facilitador. Apresento o espírito da boo-box quando a pessoa ingressa na empresa. Nossa estrutura, sem hierarquias, dá autonomia para todos.

6. Qual foi o fator mais importante para você chegar onde chegou?

Saber dividir as responsabilidades. Ter escala é um aspecto importante. Muitas vezes deixo as rédeas nas mãos das outras pessoas e isso sempre me ajuda.

7. Uma descoberta recente que mudou sua vida.

Entender a importância da experiência. Eu costumava valorizar a ousadia juvenil, o desprendimento. Mas hoje vejo que o ideal é ter um equilíbrio e balancear. Profissionais com experiência têm muito valor.

8. Alguma paixão de infância que você mantém até hoje.

Ciclismo. Em diferentes níveis, desde criança é algo que gosto muito. E tecnologia, por ter esse espírito hacker desde que montei um computador, aos oito anos.

9. Três livros que você indicaria para qualquer pessoa.

“Zero to One” (“De Zero a Um: o que aprender sobre empreendedorismo com o Vale do Silício”), do Peter Thiel. Não apresenta fórmulas e fala sobre como construir empresas que criem coisas novas. “Chibata! – João Cândido e a revolta que abalou o Brasil”, grafic novel de Hemetério e Olinto Gadelha. Conta o episódio da Revolta Chibata, de 1910, com elementos ficcionais e história. E “1984”, de George Orwell, que deveria ser ensinado nas escolas por tratar de todos os dilemas da humanidade de forma atual.

10. Quais filmes marcaram a sua vida?

Em entretenimento, os dois primeiros “O Exterminador do Futuro”. Em arte, “2001 – Uma Odisséia no Espaço”. Gosto muito também dos dois “Tropa de Elite”, pois são filmes que, ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, fazem uma crítica ao sistema em geral.

11. Do que você gosta, além de trabalhar?

Viajar, ciclismo, cultura hip hop e arte.

12. Quem te inspira?

Martin Luther King pela forma como ele lutou pelos direitos civis dos negros com um discurso de não violência. Vejo as exposições dele e fico muito impressionado, inspirado. Observar o que ele fez é emocionante.

13. Quais são seus próximos objetivos?

Continuar construindo a boo-box e consolidá-la como um case brasileiro, em que as pessoas tenham a perspectiva de que ajudamos a mídia independente. E também fazer crescer a minha segunda startup, o Mova+, do qual sou co-fundador.

14. Uma dica para quem pensa em empreender.

A dica que eu gostaria de ter ouvido quando comecei é se cercar de pessoas que têm experiência, que já tenham feito isso. É importante ter aquele cara que está fazendo isso pela primeira vez, mas quem tem experiência tem um conhecimento de muito valor.

Gostou dessa história? Indique pra gente pessoas que você gostaria de ver por aqui pelo e-mail tutano@trampos.co. Confira outras entrevistas no link.

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