Guia de Profissões: Arquiteto(a) de Informação

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Quando construímos ou reformamos um imóvel, logo lembramos da importância de um arquiteto para projetar, supervisionar e executar a obra. O Arquiteto de Informação (AI) tem um papel semelhante, só que na construção de sites, aplicativos ou sistemas. É uma função que tem progredido junto com a internet.

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A estrutura do conteúdo em um site precisa ser pensada, desenhada e organizada, de modo que o usuário não fique perdido e consiga encontrar o que busca. Ainda que em muitos sites esse desenho seja simples, em outros as rotas são complexas. Aí entram os termos-chave da rotina do AI: wireframes, sitemaps, personas, pesquisas etnográficas.

No mundo ideal dos projetos digitais, o AI faz parte de uma equipe multidisciplinar que conta com pesquisadores e designers de interação. Mas (no mundo real) é comum que ele seja responsável pela organização, pelo desenho e pela investigação das necessidades do usuário. Em qualquer caso, é importante que esse profissional esteja próximo do designer e do desenvolvedor, pois seu trabalho está ligado tanto à interface quanto ao sistema necessário para suportá-la.

O que faz?

Anna Raquel Serra, Senior Interaction Designer do escritório carioca da agência digital Huge, faz uma explicação didática sobre a importância do AI: “Imagine que você quer descobrir quando será o próximo show da sua banda favorita. Você digita no Google e não encontra nenhuma resposta. Você entra no site da banda e não sabe aonde precisa clicar, nem em qual seção poderia encontrar essa informação. Você não consegue nem mesmo encontrar o telefone da empresa que vende ingressos! Esse é o mundo sem arquitetura de informação”.

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Anna tem formação em Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação | Foto: divulgação

Assim, as demandas exigem visão ampla dos projetos e facilidade de entender o usuário. O AI atua na descoberta e planejamento, antes mesmo da criação de um site. Ele se envolve nas pesquisas com usuários e tenta entender qual é o cenário de informação atual para definir os problemas a serem resolvidos. Na etapa de planejamento, é o responsável por construir o mapa do site, organizando as seções, páginas e conteúdos em estruturas fáceis de entender, além de escolher as palavras certas para representar esses conteúdos na navegação.

O trabalho de um bom arquiteto de informação é invisível.
Anna Raquel Serra, Senior Interaction Designer da Huge

Depois de definir esses fluxos e priorizar a informação necessária em cada etapa para que o usuário consiga completar sua tarefa. Se o projeto precisa de busca, é o arquiteto que vai definir quais são os metadados necessários para garantir que a busca funcione. Na etapa de design e implantação, ele acompanha a criação e trabalha junto com a equipe, fazendo ajustes e encontrando alternativas caso haja alguma questão visual ou de implantação.

Quanto ganha?

Conforme os dados das oportunidades divulgadas no trampos.co, a faixa salarial oferecida para profissionais de nível Júnior à Pleno varia entre R$ 2.000 e R$ 6.000. Para cargos Sênior, os salários podem chegar a R$ 9.000. A bolsa de estágio costuma ter por padrão o valor de R$ 1.000.

Perfil e características do profissional

Conhecimentos de ciência de informação, SEO e pesquisa com usuários são essenciais para atuar na área. Se você enxerga essa como uma possível profissão, a curiosidade e a empatia são características que são consideradas inerentes para a rotina que se estabelece. Afinal, você precisará entender as necessidades, os medos e os desejos de pessoas que vão usar aquele serviço.

“Um bom arquiteto de informação é metódico: consegue olhar uma montanha de informação e enxergar padrões possíveis para torná-la organizada e acessível pelos usuários”, completa Anna.

No Brasil, aos poucos estão surgindo cursos na disciplina. Os profissionais mais experientes da área são oriundos de cursos como Biblioteconomia, Ciência da Informação e Jornalismo, que têm uma afinidade com o cargo, pois sua formação é voltada para organizar, classificar e distribuir informação.

Anna destaca também que, assim como na maioria dos cargos do mercado digital, Arquitetura de Informação é multidisciplinar e está em constante evolução. Por isso, o profissional precisa sempre buscar o conhecimento por meio de cursos, livros (veja as indicações do excelente Blog de AI) e na troca do dia a dia com a equipe.

Mercado de trabalho

O mercado de arquitetura de informação atualmente confunde-se com o mercado de UX. Muitas empresas não utilizam a nomenclatura “Arquiteto de Informação”, mas os conhecimentos necessários quase sempre são requisitos de oportunidades para UX Designer, por exemplo. Alguns profissionais desse mercado defendem que User Experience Design não é um cargo independente, e sim uma habilidade que os designers devem ter.

“Acredito que veremos um ênfase maior na disciplina de AI, já que precisamos pensar em experiências cada vez mais complexas, que usam informação de várias fontes diferentes, e ter alguém no time capaz de entender essas conexões e traduzir esse caos para o time, para os clientes e para os usuários finais vai trazer uma grande vantagem para o projeto”, completa Anna.

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