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A Casa Taiguara de Cultura Digital, projeto social que atua na formação técnica de estudantes de escolas públicas, pretende lapidar e inserir jovens talentos no mercado de trabalho com cursos que vão de programação básica à game tester.

Renee Amorim é o responsável por arrojar o futuro para os estudantes que passam pelos cursos da Casa. Da equipe de desenvolvimento institucional, ele capta recursos, desenha o escopo das ofertas, pensa e participa do rigoroso processo de seleção. É um faz-tudo que coloca os sonhos dos jovens à frente dos percalços financeiros de uma organização que depende do apoio de fundos e da iniciativa privada.

As Casas Taiguara têm histórico pioneiro e protagonista em acolher jovens das ruas. O fundador Daniel Fresnot iniciou, nos anos 90, um modelo de abrigo diferente: a ideia era de fato dar todo o apoio para a reinserção acontecer de forma digna. Foi assim que a instituição consolidou uma metodologia considerada referência para os serviços de acolhimento de São Paulo.

As diversas oficinas culturais, com recursos do Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Fumcad), pretendiam ajudar nesse processo. Em 2009, o estopim para a criação do braço digital (CTC Digital) da entidade foi o laboratório de informática. O curso básico de Pacote Office ganhava maior interesse que as aulas de instrumentos ou de capoeira, por exemplo. O movimento dos participantes mostrou que era preciso abrir as salas de aula também para estudantes da rede pública.

“Procuramos as demandas pontuais do mercado para começar a elaborar cursos de quatro meses de duração, com foco na empregabilidade dos alunos”, conta Renee. Em 2012, a entidade sentiu que centralizar esforços nos cursos digitais trazia resultados palpáveis, com alunos envolvidos e preparados para buscar o primeiro emprego.

Todos os cursos aceitam, no máximo, 16 participantes que passam por um processo seletivo rigoroso que envolve provas e entrevista. Conforme Renee, um dos fatores que ajuda a manter a qualidade é ter professores bem remunerados e escolhidos conforme as vivências de mercado.

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Hoje, são dez cursos planejados para atender às necessidades do mercado: Web Design, Programação Básica, Office Avançado, Produção Audiovisual, Modelagem 3D, Arte Digital e Editoração Gráfica, Game Design, Game Tester, Google Adwords e Facebook Innovation Lab.

“Todo aluno hoje tem o sonho de ir para a universidade. Mas muitos deles precisam trabalhar para pagar a mensalidade. Nós queremos conduzí-lo para ter o primeiro emprego já em uma área de interesse e, assim, conseguir custear uma graduação”, explica.

As parcerias são essenciais para a manutenção de um projeto em constante crescimento. O apoio mais recente foi do Facebook, que patrocinou a construção de um novo laboratório na sede localizada na República. A DP6 oferecerá cursos dentro da empresa sobre Google Analytics e sobre Social Media Metrics.

Outra novidade próxima de ser colocada em prática é o projeto de uma agência digital da CTC Digital. “Será uma empresa júnior com profissionais do mercado que guiarão nossos melhores alunos em produção de conteúdos digitais”, conta. A proposta é de fato captar jobs que propiciem experiências reais e também ajudem em termos de recursos para a Casa.

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Visitas guiadas à empresas como F.Biz, Google e a Microsoft pretendem demonstrar a aplicabilidade do que as oficinas ensinam, além de despertar o interesse dos alunos. Palestras com profissionais consagrados também ajudam a inspirar e aguçar a curiosidade.

EMPREGABILIDADE
Com a experiência dos cursos com alta evasão, Renee e a pequena equipe chegaram à metodologia de gamification para avaliar e acompanhar o aprendizado dos alunos. Desafiados, os alunos ganham recompensas e, ao final do curso, os melhores são reconhecidos e encaminhados para o primeiro emprego. Além disso, como prêmio, podem cursar qualquer outra oficina do projeto sem precisar passar pelo processo seletivo novamente.

Anna Rodrigues, analista de recursos humanos, é responsável por auxiliar os professores no preparo dos aluno no que diz respeito ao mercado de trabalho, desde elaboração de currículo até a postura em entrevista de emprego. Além disso, ela prospecta vagas de acordo com o perfil dos estudantes.

Por meio do trampos.co e de outros serviços de busca de oportunidades, Anna procura possíveis empregadores, entra em contato com o departamento de seleção, explica o projeto e envia o currículo dos alunos para firmar a parceria.

Para ela, a maior dificuldade é fazer com que as empresas entendam o nível de preparação oferecido pelos cursos da Casa. “As pessoas nos dizem ter gostado do projeto e admirar a iniciativa. Mas acredito que ainda não está clara a qualidade dos cursos oferecidos”, aponta.

O trampos.co é uma das fontes de empregadores, já que a grande demanda de programação e TI ofertada no site se encaixa com o perfil dos meninos e meninas formados pelo projeto. Por enquanto, os resultados ainda são imensuráveis, mas empresas como Locaweb e IAB Brasil contam com ex-alunos da Casa.

Para que os sonhos futuros se realizem, a meta da CTC Digital é democratizar a educação digital, alcançar jovens de toda a rede de ensino municipal e encaminhar 70% dos seus alunos para o mercado de trabalho.

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