Oratória: 10 caminhos para falar bem em público

Oratória: 10 caminhos para falar bem em público

As principais orientações para quem quer melhorar a oratória e o desempenho de uma apresentação em público.

Ao planejar o que vai dizer, leve em consideração uma lista mental de questões a que sua fala deve responder; as lacunas que cada afirmação pode provocar à medida que enunciada; o tipo de predisposição do auditório às ideias que você defenderá (conceitos partilhados, preconceitos, visão de mundo); as condições e o contexto em a comunicação ocorrerá.

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Saber a idade do grupo, suas convicções políticas, religião, ocupação e algo mais é de vital importância. As pessoas estarão apoiando sua fala ou se posicionarão contra? Será uma plateia mista? Esteja preparado para valorizar a oposição.

A primeira real pergunta a ser respondida quando se prepara uma apresentação, portanto, é se o seu público é favorável a suas ideias. Será ele hostil? Te­rá ponto de vista oposto? Explorar fatores como esse é bom ponto de par­tida para um orador iniciante. Para experientes, é um adicional valioso. A persuasão assume formas variadas e conseguir que as pessoas concordem com sua forma de pensar é uma proeza.

Com plateia a favor

Antes de tudo, considere se sua plateia vê com bons olhos aquilo que você apresenta.

Se o público concorda com seu ponto de vista, concentre-se nele, eliminando, assim, pontos de vista opostos. Vejamos um caso atual muito polêmico: se você batalha pela descriminalização da maconha e pensa que é uma boa causa porque ela poderia ser taxada ou usada em tratamentos médicos, ou não tem efeito suficientemente nocivo para merecer a ilegalidade, isso será, provavelmente, tudo o que você deve dizer.

Se a plateia for previamente favorável à ideia, estará predisposta a ficar a seu favor. O grupo tenderá a comprar não só a ideia principal como outras que façam parte do discurso. Presta­rá atenção a detalhes e será capaz de lembrar os pontos importantes, porque tudo confirmou suas noções anteriores.

Encare a oposição

Essa é uma boa razão para você lapidar seu discurso e personalizá-lo para uma audiência específica. Faça um esforço adicional e gaste algum tempo para realizar isso.

O ponto chave aqui é: faça sua audiência concordar com a sua apresentação e, se não o conseguir totalmente, seja capaz de vencer resistências da plateia. Numa análise final, talvez você tenha de fazer uma abordagem sob outro ângulo, mais geral. Este será o maior de­safio da oratória: convencer os que se opõem ao seu ponto de vista.

Quando uma audiência se posiciona contrariamente ao ponto de vista do orador, ele deve en­dereçar sua fala aos argumentos da oposição. Se você se preocupar só em de­fender seus pontos de vista, ignorando os da oposição, tenderá a ver sua audiência desligar-se de sua fala, tal­vez até considerá-lo um orador sem credibilidade. Primeiro, porque não o sentirão intelectualmente honesto. Você não está considerando o momento com todas as suas devidas nuanças, os argumentos deles não foram valorizados. Basicamente, você não os le­vou a sério. Então, o que é preciso fazer e como?

Mecânica oratória

Você deve apresentar seu argumento, destacando seus pontos fortes. A seguir, aponte os argumentos primários dos opositores e, então, vá destruindo um por um. Lance dúvidas sobre eles. Desse modo, você estará dando atenção à oposição e oferecendo algo novo sobre o que pensar.

Todos verão os pontos fracos de suas posições e estarão considerando as informações novas que suportam suas ideias. Você terá plantado a semente da dúvida e atraído muita gente para o seu modo de pensar.

Você pode ser um palestrante excepcional, com voz agradável, boa linguagem corporal, gestos sob medida, ter um material de pesquisa excelente para apoiar seu discurso, um início magistral, uma finalização empolgante, bom humor e uma graça cativante. Mas, se desconsiderar os pontos de valor de seus opositores, sua fala pode ser um fiasco.

Plantar dúvida

Se o orador percebe que a oposição pode ter vários pontos fortes, deve mencionar alguns, não só pa­ra mostrar bom senso, mas plantar a dúvida e minar os fundamentos da oposição. Isso vai permitir que pareça educado, justo e equilibrado aos olhos da plateia. Assim, pode-se dizer que o ponto focal para persuadir é fazer as pessoas se sentirem felizes depois de decidirem ver ou fazer o que você sugere, depois de terem concordado com você. E mais, sem ficarem com o sentimento de que “perderam a parada”.

Os dez caminhos

  • Conheça sua plateia: reúna o maior volume possível de informação sobre o seu público, assim você conseguirá adaptar sua falar para seus ouvintes.
  • Conheça seu assunto: faça uma apresentação atualizada. Não corra o risco de o público conhecer o tema mais do que você.
  • Esteja preparado: não cometa o erro maior (aliás, amador) de não estar preparado.
  • Encare seus ouvintes: procure o contato visual com a plateia. Ao primeiro aceno positivo que receber, sua autoconfiança aumentará. Considere que as pessoas que se dispuseram a ouvi-Io estão ali para ver o seu sucesso e aprender com você.
  • Fale com entusiasmo: não imite ninguém. Mas fale de modo entusiasmado, com emoção.

Nem a melhor das técnicas de oratória supera a sua naturalidade. Nunca imite quem quer que seja ao falar.

  • Não fale rápido demais. Se sua dicção não for boa, ninguém irá entender o que você diz.
  • Não fale lentamente e com longas pausas. O tédio pode prevalecer.
  • Não fale alto demais. Você se cansará e irritará o ouvinte.
  • Não fale baixo demais. As pessoas farão esforço para ouvi-lo e, não conseguindo, dispersarão.
  • Crie um ambiente agradável de comunicação, alternando a altura e a velocidade da fala.
  • Não imite o sotaque da região em que estiver se apresentando. Nem satirize o de outras regiões. Você não sabe quem estará na plateia.

Só comece a falar quando estiver na frente de todos e sentir que a atenção da plateia está em você.

  • Deixe seu nome completo bem visível.
  • Desde o início, procure envolver seus ouvintes quanto à utilidade do tema.
  • Mostre seus objetivos, dando visão geral do programa.
  • Se o auditório for pequeno, faça perguntas e sinta a experiência que o grupo já tem do assunto.
  • Se ninguém o fez ao apresentá-lo, declare sua experiência no assunto de que vai tratar.
  • Prepare-se para não ultrapassar o tempo definido.
  • Jamais declare que não teve tempo de preparar-se.
  • Quando sua apresentação fizer parte de algum programa, não ultrapasse o seu tempo; mas, se ocorrer, não deixe de dar explicações ao grupo.
  • Muito cuidado com a gramática. Erros atrapalham a apresentação e podem arrasar sua imagem. Dedique cuidado especial à concordância e à conjugação de verbos.
  • Desenvolva um vocabulário simples, objetivo e suficiente para representar suas ideias.
  • Pronuncie bem as palavras, não corte S e R finais, nem intermediários.
  • Evite o uso de cacoetes no meio do raciocínio como: “tá OK?”, “é assim”, “né”, “bem”, “então”, “certo?”, “é o seguinte”.
  • Evite, também, repetir certos termos ou frases (“basicamente”, “quer dizer”, “efetivamente”).
  • Nunca se diminua diante de seu auditório. Nem se traia: não diga ou dê a entender que se preparou mal, os slides estão desatualizados ou coisa do gênero. A plateia poderá deduzir que não mereceu respeito e empenho de sua parte.
  • Cuidado para não se repetir em demasia.
  • É aceitável consultar anotações em algum momento de “branco”. Mas não faça disso um hábito.
  • Nunca chame a atenção para o fato de você estar nervoso.
  • Ao fim, nunca diga que se esqueceu de um tópico. Indica que você não se preparou como devido. Na hora das perguntas, inclua aí o tópico esquecido, mesmo que a relação entre eles seja só ligeira.
  • Em nenhuma hipótese deixe escapar que acha seu tema uma chatice.
  • Um lance pitoresco ou humorado aproxima as pessoas. Se surgir oportunidade, sirva-se disso.
  • Cuidado com pia­das que ridicularizam alguém. Podem criar ressentimentos ou constranger.
  • Não peça desculpas por problema eventual (gripe, tosse, dor de cabeça).

Os movimentos e as expressões faciais são recursos que favorecem o entendimento.

  • Não fique andando pelo palco enquanto fala, parecendo fera na jaula.
  • Não fique parado no canto. Movimente-se; aproxime-se da plateia ao falar intimamente sobre um tópico.
  • Procure não por as mãos nos bolsos, nas costas ou juntas a frente, em “folha de parreira”.
  • Distribua o peso do corpo entre as pernas; apoiar-se alternadamente em uma ou outra torna a postura deselegante; não abra as pernas em demasia, mas o suficiente para manter o equilíbrio.
  • Não fique com os ombros caídos. Passa a imagem de excesso de humildade ou negligência.
  • Não olhe demais para um ouvinte ou grupo de ouvintes. Olhe o grupo, se possível nos olhos.
  • Não fique olhando o chão, o teto ou para fora da sala.
  • Não aparente arrogância, empinando o queixo e olhando o público “por cima”.
  • Estabeleça coerência entre seu semblante e o que está sendo dito. Coisas alegres, fisionomia sorridente: coisas tristes, cara fechada.
  • Se inevitável ler um discurso, olhe com frequência para a plateia e tenha certeza e que ela está atenta.
  • Não resuma a ideia lotando um slide com informação. Distribua-a em vários.
  • Revise os slides para eliminar erros (gramática, números, grafia, ordem).
  • Não se limite a ler o que está projetado na tela.
  • Ao montar o slide, use o fundo que melhor contraste com letras e figuras; faça cópia com fundo branco para ser usada em salas com muita claridade.
  • Não se desvie do tema que está projetado.
  • Fale, com sua voz habitual, à distância de uns 15 centímetros entre boca e microfone.
  • Olhe o público e não o microfone, que é um instrumento auxiliar, nunca um obstáculo.
  • Considere a possibilidade de o sistema de som assumir comportamento enlouqueci­do: chiados, guinchos, apitos, distorção da voz, enfim, tudo o que distraia a atenção da audiência. Se é o caso, continue a fala até que alguém conserte o equipamento.
  • Se não for possível voltar a usar o microfone, solte mais a voz, mas não berre com a plateia.
  • Sem recurso do som e sem ser ouvido pela maioria, melhor parar de falar. Brigar com equipamento ruim é desperdiçar seu tempo. E o dos ouvintes.
  • Não fale demais. Diga o que tem a dizer e, em seguida, pare. Antes, porém, dê ao público algo que o faça pensar e encerre sua oratória com uma mensagem consistente.
  • A última coisa que disser deverá ser a mais lembrada. Pode ser um desafio, uma sugestão de ação ou a solução de um problema. Induza seu público a fazer algo.
  • Se o tema permitir, faça o encerramento bem-humorado de sua oratória: se bem feito, permitirá uma impressão positiva ao final e a sala não ganha aquele silêncio sepulcral enquanto você se senta.
  • Se o tema não é adequado ao encerramento bem-humorado, prepare uma história que mexa com a sensibilidade da plateia ou mostre algum tipo de pensamento ou provérbio que faça o auditório refletir.
  • Na hora das perguntas, nunca inicie uma resposta com: “Isso já falei … “, “A resposta é óbvia … “, “Imaginei que estivesse claro…” . Nem corte sua fala para atender a outra pergunta.
  • Elogie uma boa pergunta. Ao responder, não olhe só para quem perguntou.
  • Tente captar a intenção e o conteúdo do que lhe é perguntado. Fique atento a termos ou frases que serão a chave da pergunta. A ênfase em certa palavra dá o sentido da indagação.
  • Repita a pergunta para todos escutarem. Ajuda você a ter certeza de que a entendeu.
  • Nunca deixe alguém fazer um discurso a pretexto de elaborar uma pergunta dirigida a você. Se o indagador se estender, interrompa-o, gentil e firmemente, e pergunte qual é a dúvida.
  • Uma pergunta que tem várias partes deve ser dividida e cada parte respondida em separado. Terá mais clareza e melhor aceitação.

Então, o que você acha? Quais desses caminhos foram mais valiosos para você melhorar sua oratória? Deixe seu comentário e compartilhe.

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Texto originalmente publicado pela Revista Língua Portuguesa por Osório Cândido da Silva. Adaptado pela equipe do Tutano.

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