A importância (e o desafio) de manter projetos paralelos

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Como já falei anteriormente, trabalhei em diversas agências de perfis diferentes. Além do tipo de serviço/mindset de cada uma, os perfis dos funcionários também eram bem distintos entre si. Mesmo assim, em quase todo lugar eu me deparei com pessoas que tinham um projeto paralelo, fato curioso para uma profissão que ocupa tanto tempo e energia.

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Tenho algumas teorias rasas sobre a fascinação do bicho publicitário por manter esses projetos, mas prefiro guardar pra mim. O fato é: para muitos de nós, vale a pena mergulhar em projetos paralelos porque eles são necessários. Lidamos diariamente com pressão, incertezas e frustrações. Um projeto paralelo pode ajudar e muito a tirar o peso de tudo isso, fazendo com que a gente consiga responder melhor aos desafios do dia a dia. Abaixo, alguns bons motivos para você fazer esse esforcinho e correr atrás do seu projeto.

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Válvula de escape

Vamos partir de uma premissa: um job não é algo autoral. Tem briefing. Tem ajustes. Tem budget. Tem KPI. Com perdão do clichê, o job é mais transpiração que inspiração, mas algumas mentes criativas, de vez em quando, precisam criar algo que seja mais inspiração que transpiração. Um projeto paralelo tem muito disso: já trabalhei com gente que tem banda, faz HQ, poster, grafite, contos, fotografia…Tudo isso ajuda a satisfazer criativamente além de trazer referências de várias origens que agregavam no job e os tornava pessoas muito mais interessantes.

Contatos

Não, não tô falando de “contatos que podem arrumar um emprego para você e mudar sua carreira”. Tô falando de contatos exóticos. Quando você tá tocando algo fora da sua área de atuação, vai conhecendo gente que faz as mais diversas coisas e o aprendizado pode ser enorme. Você sai da sua “bolha” pra enxergar o mundo sob um prisma diferente, e isso é vital no trabalho com criação.

Se nada der certo

Taí uma coisa que ninguém quer pensar, mas tem sido muito frequente: e se você, de repente, descobrir que não vai ser o próximo gênio da publicidade. Ou então se cair na rua da amargura e não aparecerem mais oportunidades (ainda mais depois de certa idade)? Se você cansar de comer pizza de madrugada, se os horários do trampo não baterem mais com seu lifestyle, tem muitos “e se” na vida.

Bom, se nada der certo, já pensou que seu projeto paralelo pode ser seu Plano B? Sim, muitos amigos meus já percorreram esse caminho, e eu posso falar com muito orgulho que estão se saindo bem. Não é à toa que sempre tá saindo uma notícia de “ex publicitário se demite, larga tudo e (insira qualquer coisa incrível/hype/hipster no lugar)“.

Fazer o bem <3

Nossa criatividade pode ser empregada de diversas maneiras. Inclusive, para beneficiar outras pessoas e até a sociedade como um todo. Eu já vi muitos projetos lindos voltados para fazer o bem, repletos de propósito e boas intenções. E, cara, dá uma sensação tão boa ver mentes criativas que têm contato com tudo quanto é tecnologia e tendências aplicando isso pra pessoas com menos acesso e oportunidades… Se você tem uma ideia boa que pode mudar o mundo, apenas faça!

Rechear o portfólio

Ahá! Eu sempre acabo falando dela, a famigerada pasta. Pois é. Mas a gente vive dela e precisa dela pra se dar bem, ficar rico, ter sucesso, entrar de graça na balada (mentira!). Aqui tá um segredo legal: mais vale uma boa ideia de projeto paralelo executado na pasta do que uma prancha mirabolante de uma ideia que nunca sentiu o gosto de ir pra rua. É sério. Projetos legais feitos na raça brilham muito na frente dessas ideias pasteurizadas. Tipo: “vamos criar uma vending machine”, “vamos filmar uma pegadinha e o final vai fazer você chorar”. Principalmente se você está começando, mais do que mostrar que tem boas ideias, é mostrar sua vontade e capacidade de execução. True story.

Em resumo, projetos paralelos abrem muito mais do que sua cabeça: podem abrir portas. Cultive-os bem, com carinho, lembrando sempre que eles podem ser uma vitrine para um novo emprego ou uma oportunidade de empreender. É difícil? Ô se é! Mas eu garanto que pode ser igualmente gratificante.

Esse texto é uma colaboração de Enzo Sunahara, Copywriter atualmente na VML. Caso você também queira colaborar com conteúdos, entre em contato pelo e-mail tutano@trampos.co.

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