Como vencer a desigualdade no mercado de trabalho?

Como vencer a desigualdade no mercado de trabalho? | tutano

Março é um mês marcado por diversas celebrações de lutas por igualdade e inclusão de minorias. Além do dia internacional da mulher, no dia 8, temos também o dia internacional contra a discriminação racial, no dia 21.

Mais importante do que a data, é claro, estão as conquistas e reivindicações de movimentos que buscam equidade em todos os sentidos na nossa sociedade.

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Apesar da legislação proibir a publicação de quaisquer itens discriminatórios em anúncios de vagas de emprego, a desigualdade no mercado de trabalho ainda é palpável. A pesquisa “como anda a diversidade no marketing”, do Linkedin, é só um exemplo de como podemos progredir nesse sentido.

“não é permitida a publicação de itens discriminatórios nos anúncios de emprego, tais como sexo, idade, raça, religião, condições de saúde, opção sexual, opinião política, nacionalidade, origem social, restrição creditícia ou comprovação de experiência profissional superior a seis meses”.
CLT artigo 373-A, I

Pensando nisso, trouxemos algumas iniciativas e projetos de inclusão bacanas para apoiar e se inspirar, na luta por um mercado de trabalho mais justo e plural:

 

Igualdade étnico-racial

Segundo uma pesquisa do Instituto Ethos realizada com 117 empresas em 2016, negros ocupavam apenas 6,3% dos cargos de gerência e 4,7% do quadro executivo. Ao mesmo tempo, apenas 14 tinham iniciativas de igualdade étnico-racial, e só uma delas buscava ampliar a diversidade em cargos de direção e gerência.

Além disso, ainda há o problema da disparidade salarial. A Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE mostrou que negros ganhavam pouco mais da metade dos rendimentos de brancos (59%) em 2015, uma melhora de apenas 9 pontos percentuais desde 2003.

 

Conheça iniciativas em prol da igualdade étnico-racial:

EmpregueAfro
A EmpregueAfro começou como uma ONG para capacitação de jovens negros, em 2004. A partir daí, a consultora de Recursos Humanos, Patrícia Santos de Jesus, criou o EmpregueAfro com o objetivo de incluir, reter e desenvolver o profissional negro e afrodescendente, promovendo palestras para orientação profissional para jovens estudantes. No âmbito das empresas, oferece serviços de recrutamento e seleção, comunicação e responsabilidade social.
A consultoria também realiza anualmente, desde 2015, o Prêmio de Valorização da Diversidade Étnico-Racial, onde contempla personalidades, empresas, artistas e formadores de opinião que contribuem para a causa.
Saiba mais em: https://empregueafro.com.br/
Enegrecer a Tecnologia
A iniciativa da consultoria global ThoughtWorks visa diminuir o abismo entre negros e brancos em cargos de chefia, e propunha o recrutamento e seleção de desenvolvedores de software negros para atuar nos escritórios da empresa no Brasil (Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e São Paulo).
Saiba mais em: https://www.thoughtworks.com/pt/enegrecer

 

Igualdade para pessoas com deficiência

De acordo com o IBGE, 24% da população brasileira (45 milhões de pessoas) possuem algum tipo de deficiência, mas só 1% delas (403 mil delas) estão no mercado de trabalho formal.

A legislação garante a inclusão de PCDs desde 1991 (Lei nº 8.213/91), mas só passou a ser mais eficaz com o Decreto nº 5.296, de 2004, que estabeleceu mais detalhadamente os regulamentos e critérios básicos para a promoção da acessibilidade em empresas, delimitando os tipos de deficiência que se encaixavam nas cotas.

“empresas com cem ou mais colaboradores são obrigadas a preencher de 2% a 5% de seus cargos com pessoas com deficiência (PCDs) ou beneficiários reabilitados.”
Lei nº. 8.213/91

O problema é que muitas empresas incluem esses profissionais apenas para cumprir com a exigência da legislação, mas não dão a eles possibilidade de crescimento e desenvolvimento na corporação.

 

Conheça iniciativas para inclusão de pessoas com deficiência:

Talento Incluir
A Talento Incluir é uma consultoria que oferece treinamento, análise de acessibilidade, palestras corporativas, materiais de comunicação e outros serviços para auxiliar na inclusão de PCDs no mercado de trabalho.
Saiba mais: http://www.talentoincluir.com.br/

 

Igualdade de gênero

Apesar das mulheres já serem grande parte do mercado de trabalho (46,8%, no último censo do IBGE), ainda não há a igualdade de oportunidades para mulheres em cargos de liderança (37%), nem em profissões tradicionalmente dominadas por homens (como as áreas de exatas e tecnologia). As mulheres também não recebem o mesmo salário que homens no mesmo cargo e com a mesma formação, chegando a receber 70% do valor.

Além disso, há o problema da jornada dupla (ou tripla), e dificuldade para se crescer em suas carreiras após o nascimento de filhos. Isso quando não fazem parte de 50% das mulheres que são demitidas após a gravidez.

Por fim, estima-se que garantir a real igualdade de gêneros no mercado de trabalho poderia trazer R$ 382 bilhões a mais para a economia.

 

Conheça iniciativas para promover a igualdade de gênero:

Indique Uma Mina
O Indique uma Mina é uma plataforma de notícias, empoderamento e compartilhamento de oportunidades para garantir a inserção ou recolocação de mulheres no mercado de trabalho e lutar pela garantia de igualdade de oportunidades, salário e representatividade nestes espaços.
Saiba mais em: https://www.facebook.com/indiqueumamina
Girl Develop It
É uma organização sem fins lucrativos que promove a divulgação de oportunidades acessíveis e inclusivas de aprendizado de desenvolvimento para web e softwares para mulheres, ajudando na construção ou evolução de suas carreiras.
Saiba mais em: https://www.girldevelopit.com/

» Conheça também os projetos Pyladies, Django Girls e Programaria.

Ellas al Cuadrado
A iniciativa Ellas al Cuadrado promove consultoria para mulheres empreendedoras que queiram construir novos modelos de empresa no âmbito da economia digital. Ela oferece projetos de mentoria, conteúdos instrutivos e uma “aceleradora” de startups diferenciada.
Saiba mais em: http://www.ellas2.org/

 

Iniciativas de inclusão de pessoas LGBT

O Brasil é o país com a maior taxa de violência LGBT do mundo, com uma pessoa morta a cada 25 horas.

No mercado de trabalho, a situação não muda. Um estudo realizado pelo Center for Talent Innovation mostrou que 61% dos profissionais LGBT brasileiros escondiam suas orientações sexuais de colegas e gestores. 49% alegaram não esconder, mas disseram alterar seus comportamentos para se integrar com colegas.

Estima-se também que, em 2015, 90% das mulheres trans se prostituíam como forma de sobrevivência.

 

Conheça iniciativas para inclusão de pessoas LGBT:

Micro Rainbow Brasil
O projeto global visa tem como principal objetivo tirar lésbicas, gays, bissexuais, trans e intersexuais de situações de pobreza em diversas partes do mundo. O Micro Rainbow completou 3 anos no Brasil, ajudando pessoas LGBT em situação de vulnerabilidade no Rio de Janeiro por meio de consultorias, cursos de empreendedorismo, gastronomia, hotelaria e moda.
Saiba mais em: https://microrainbow.org/pt-br/
Rede Monalisa
A Rede Monalisa é um projeto que nasceu no Recife para conectar e oferecer oportunidades para pessoas trans e travestis, compartilhando histórias, gerando conteúdo, fornecendo apoio psicológico e capacitação empresarial para garantir sua inclusão real no mercado de trabalho.
Saiba mais em: http://www.redemonalisa.com.br/

 

Por que isso é importante?

A igualdade de oportunidades é um dos direitos humanos fundamentais propostos há 70 anos pela ONU, na Assembleia Geral das Nações Unidas em Paris. O documento selou um compromisso global em prol da manutenção e proteção da universalidade desses direitos, que é um dever de todos.

Muitos podem argumentar que “até acham importante”, mas que temem que essas medidas prejudiquem seus negócios. Pois bem. Um estudo realizado pela McKinsey & Company, em 2015, mostrou que a diversidade não é só positiva para a representatividade, abertura de novos espaços no mercado de trabalho, produtividade e clima organizacional, mas também para a lucratividade das empresas.

Então, seja pelos princípios morais e éticos de ter equipes diversas em uma sociedade tão plural como a nossa, ou pela possibilidade de aumentar a rentabilidade, é importante que as empresas e seus colaboradores tratem a inclusão de minorias como pauta prioritária, sem justificativas.

E o que mais posso fazer?

Se você é um(a) recrutador(a), selecionar candidatos de acordo com suas capacitações e eliminar preconceitos na seleção já é uma grande ajuda. Mas, sabendo do histórico de desigualdade com essas minorias, é importante também conhecer políticas de inclusão, projetos de educação e treinamento na sua empresa e, se ainda não existirem, propor novos para coordenadores e gestores responsáveis.

» Saiba como se tornar uma empresa apoiadora da diversidade e inclusão no trampos

Se não for responsável por nenhuma etapa da contratação, ainda é possível fazer sua parte de diversas outras formas, seja apoiando ONGs e projetos de inclusão, indicando colegas que façam parte dessas minorias para oportunidades de emprego, exigindo políticas de equidade em suas empresas ou disponibilizando seu tempo para ensinar e capacitar profissionais.

 

Conhece alguma iniciativa bacana que não mencionamos?
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