2016-11-11_tempo-dinheiro-freelancer

“Quanto você cobra por…?” Muitos freelancers já sentem a mão suar e o coração bater mais forte quando escutam essa pergunta. A questão é que, na grande maioria das vezes, não sabemos mesmo calcular o valor de nosso trabalho e, com isso, ficamos sempre em torno de um dilema: cobrar um valor muito baixo e acabar não ganhando o que gostaria ou definir o preço que acha justo e correr o risco de não pegar o job?

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Mas, se você começou a ler esse post na esperança de ter a resposta para sua dúvida sobre qual valor exato cobrar por cada serviço, sinto muito, não vou conseguir ajudá-lo neste ponto. Ao longo do tempo em que trabalho como freelancer, aprendi que não existe o valor definitivo para os freelas. Ele varia de acordo com a exigência do projeto, com o grau de dificuldade do serviço e, é claro, com o budget do cliente.

Por que então você deve ler esse post? Pois vou ajudá-lo a entender quais são os fatores que deve considerar ao definir seu preço, confira!

Dicas para definir o preço de seu trabalho?

Se você também não acredita em “tabelas de preços para freela”, vai precisar fazer um orçamento diferente para cada cliente. Pensou “nossa, que trabalho”? A escolha é sua, mas saiba que customizar os valores o ajuda a ganhar mais e também a conquistar mais clientes.

Convencido? Veja então alguns passos para formar o preço de seu serviço:

1. Conheça o valor de sua hora como profissional

Eu sempre gosto dessa comparação: se estivesse trabalhando em uma empresa e ganhando um salário fixo, qual seria o valor dele? Entenda qual o seu nível profissional (júnior, pleno, sênior, especialista, etc) e tente encontrar informações sobre o quanto o mercado está pagando em salário para a sua função. Não deixe de avaliar também o valor dos benefícios (plano saúde, vale-transporte, vale-alimentação) e, se for CLT, os custos de manutenção de um funcionário para uma empresa.

Feito isso, divida o valor total (normalmente o dobro do salário em si) pelo número de horas mensais trabalhadas como funcionário, assim terá o primeiro indício de quanto deve cobrar por hora. Por exemplo, se você acha que estaria empregado com um salário de R$ 3.000, divida R$ 6.000 por 160 horas (40 horas semanais). Você chegará, então, a um valor aproximado de R$ 37,50 por hora.

Essa comparação é interessante por um fator bem prático: ao pedir um orçamento de você, seus clientes também costumam fazer essa matemática para saber o que vale mais a pena, contratar um freelancer ou aumentar sua equipe com um novo funcionário. Mas, calma, isso não significa que você tenha chegado ao valor de sua hora. Tem mais algumas dicas importantes pela frente.

2. Saiba quais são os custos envolvidos

Um erro bem comum dos freelancers ao definir o preço para seu trabalho é não considerar os custos envolvidos. Para cada projeto, é preciso colocar na ponta do lápis o que gasta com luz, internet, imposto, material de escritório, aluguel de coworking, transporte para reuniões e tudo o mais que estiver envolvido na execução das atividades.

É claro, você não vai colocar todo valor da sua conta de internet no projeto de um cliente, mas precisa ter noção de que esse é um custo que tem como empresa, portanto deve ser pago pelos serviços que prestar, não pelo “salário” que definir para você.

Considere também o número de refações, calls e reuniões com o cliente ao longo do projeto: clientes mais exigentes e que demandam mais de seu tempo, pela lógica, precisam pagar um preço maior do que aqueles que pouco interagem com você.

3. Pesquise quanto cobram seus concorrentes

Eu mesma já cai nesse erro: defini um preço para um projeto pensando no valor de minha hora e depois descobri que os concorrentes cobravam um valor bem acima do meu. Por isso, vale ficar sempre atento ao valor praticado por outros freelancers ou até mesmo por empresas.

E não é só para ganhar mais dinheiro. Alguns clientes, ao ver um orçamento com valores muito abaixo ou muito acima dos demais, podem ter uma ideia equivocada sobre você ou sobre seu trabalho. Mas como saber isso? Pergunte! Aos seus clientes, a conhecidos, a outros profissionais ou até ao Google.

4. Ajuste seu preço de acordo com o projeto

Por fim, depois de saber quanto ganharia em uma empresa, seus custos e o preço de seus concorrentes, ajuste seu valor de acordo com o projeto do cliente, considerando quanto tempo irá levar para executá-lo. É claro que vale ter um valor médio para cada tipo de serviço, mas, ao ouvir aquela perguntinha sobre quanto cobra, que tal manter a calma e pedir uma conversa com o potencial cliente para entender mais sobre o projeto e sobre as expectativas que ele tem para seu trabalho?

É a melhor forma de fazer um orçamento de acordo com o que é justo para você e para a empresa que pretende contratá-lo. Além de evitar que você caia naquelas furadas, com demandas que se tornam mais complexas ao longo do tempo e acabam comprometendo seu tempo em um orçamento de baixo valor.

Hora de definir o seu valor

Ficou mais claro o que considerar antes de definir o preço para um projeto? Você deve ter percebido que não existe fórmula mágica, é preciso entender sobre o seu mercado de atuação, sobre o serviço que presta e, principalmente, sobre as dores de seus potenciais clientes. Você irá perder algum tempinho fazendo as contas a cada orçamento que enviar, mas com certeza terá muito mais confiança na hora de negociar valores ou, até mesmo, de negar aquelas propostas malucas de clientes que querem pagar muito abaixo do que você deseja.

E não caia no erro de aceitar valores muito baixos pelos seus serviços: pode até ser que no início você consiga vencer a ansiedade por ganhar dinheiro, mas no fim vai ter que atender um monte de clientes que não pagam nem o suficiente para você viver. Foque em prospecção, venda ativamente seu serviço e capriche nas propostas – com o tempo, você encontrará os clientes dispostos a pagar o valor que seu trabalho merece!


Você tem alguma dica diferente para definir o valor para um projeto ou serviço? Compartilhe com os outros freelas aqui nos comentários!

Esse texto é uma colaboração de Luciane Costa, jornalista e autora do site Vivendo de Freela. Caso você também queira colaborar com conteúdos, entre em contato pelo e-mail tutano@trampos.co.

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