Nos últimos anos, a conversa sobre modelos de trabalho ficou presa em uma pergunta simples demais: o presencial voltou?
Os dados da trampos mostram que a resposta é mais interessante do que isso. O mercado não voltou ao cenário pré-pandemia. O que aconteceu foi uma redistribuição da flexibilidade: menos vagas 100% remotas, mais vagas híbridas e um presencial que continua relevante, mas que agora precisa disputar candidatos com uma proposta mais clara.
Em 2026, vagas home office receberam 2,24x mais candidaturas que vagas presenciais.
O mercado não abandonou a flexibilidade. Ele redistribuiu.
Entre 2022 e 2026, o home office perdeu participação nas vagas publicadas na trampos. Em 2022, representava 38,17% das oportunidades. No recorte de 2026, aparece em 26,03%.
No mesmo período, o modelo híbrido cresceu de forma consistente: saiu de 16,75% das vagas em 2022 para 31,04% em 2026.
Já o presencial permaneceu relativamente estável, variando na faixa de 43% a 46% das publicações. Ou seja: o dado não sustenta uma leitura simplista de “volta do presencial”. A mudança mais clara é outra. O 100% remoto perdeu espaço, e o híbrido virou o principal destino da flexibilidade.

| Modelo | 2022 | 2026 | Leitura |
|---|---|---|---|
| Home office | 38,17% | 26,03% | Perdeu participação nas vagas |
| Híbrido | 16,75% | 31,04% | Ganhou espaço e virou o principal formato flexível |
| Presencial | 45,07% | 42,94% | Permaneceu relevante, mas sem crescimento expressivo no recorte |
Na atração, o home office continua liderando
Quando olhamos para candidaturas, o cenário muda de intensidade. Mesmo com menor participação na oferta, o home office segue sendo o modelo com maior volume médio de candidaturas.
No recorte parcial de 2026, vagas home office tiveram média de 282 candidaturas por vaga, contra 162 nas híbridas e 126 nas presenciais. Como candidaturas acumulam ao longo do tempo, usamos também um recorte com maturação mínima de 30 dias para validar a tendência.

O híbrido também ficou acima do presencial, com cerca de 29% mais candidaturas por vaga. Flexibilidade, aqui, funciona como um amplificador de alcance.
Mas presencial não é sinônimo de baixa eficiência
Existe uma nuance importante nos dados: as vagas presenciais têm menor volume absoluto, mas a maior taxa de candidatura entre quem visualiza.
Em 2026, a taxa candidatura/visualização ficou em 26,68% para vagas presenciais, 22,66% para híbridas e 18,31% para home office.

A leitura mais segura é: o home office amplia o topo do funil; o presencial atrai um público menor, mas quem chega até a vaga tende a estar mais decidido ou mais aderente ao formato.
Isso não torna o presencial inviável. Mas muda o nível de esforço necessário para atrair candidatos. Quanto menos flexível for o modelo, mais clara e competitiva precisa ser a proposta.
O efeito aparece tanto em CLT quanto em PJ
Outro ponto importante: a diferença de atração não parece depender apenas do regime de contratação. No cruzamento entre regime e modelo de trabalho, o home office lidera nos dois casos.

Em vagas CLT, a média foi de 337 candidaturas para home office, 161 para híbrido e 84 para presencial. Em vagas PJ, foi de 294 para home office, 155 para híbrido e 128 para presencial.
Isso mostra que o candidato não avalia a oportunidade por uma variável isolada. A decisão passa pelo pacote completo: modelo de trabalho, regime, salário, senioridade, categoria, clareza da descrição e percepção de valor.
Em áreas criativas, a flexibilidade pesa ainda mais
Ao olhar para categorias mais aderentes ao universo da trampos, a vantagem do home office sobre o presencial aparece de forma consistente. Em design, vagas home office tiveram média 2,68 vezes maior que vagas presenciais. Em atendimento, 2,63 vezes. Em criação, 2,55 vezes. Em social media, 2,48 vezes.

Esses números não significam que toda empresa deva abrir mão do presencial. Mas mostram que, em áreas criativas e digitais, a flexibilidade ainda é um diferencial importante para competir por atenção.
O que muda para quem recruta
Modelo de trabalho deixou de ser um detalhe operacional. Ele virou parte da proposta de valor da vaga. E cada formato traz um desafio diferente:
- Home office: o desafio é organizar o volume. Triagem, filtros, perguntas certas e clareza sobre expectativas.
- Híbrido: o desafio é explicar o combinado. “Híbrido” pode significar um dia por mês no escritório, três dias por semana, presença sob demanda ou rituais específicos. Quanto mais claro for o acordo, menor o ruído.
- Presencial: o desafio é comunicar o motivo da presença. Não basta informar “presencial”. A empresa precisa explicar por que aquele modelo faz sentido para a função, que tipo de troca acontece no escritório, como é a rotina, onde fica a empresa, quais benefícios compensam o deslocamento e o que torna aquela experiência relevante.
Checklist prático para melhorar a atração
- Explique por que a presença é importante para aquela função.
- Informe rotina, endereço e frequência com clareza.
- Diferencie requisitos essenciais de desejáveis.
- Evite títulos internos ou criativos demais: título é busca.
- Informe salário ou faixa sempre que possível.
- Use perguntas de triagem que avaliem comportamento, não adjetivos genéricos.
- Ajuste benefícios, divulgação e abordagem quando a vaga tiver menor flexibilidade.
Flexibilidade atrai volume. Clareza atrai aderência.
A flexibilidade perdeu espaço no formato 100% remoto, mas não perdeu força na atração de candidatos. O home office segue ampliando o topo do funil. O híbrido se consolidou como alternativa intermediária. O presencial continua relevante, mas precisa de mais clareza para competir por atenção.
No fim, contratar bem começa antes da entrevista. Começa na forma como a vaga apresenta sua proposta de valor.
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Notas de metodologia (dados internos trampos)
- Base: vagas publicadas na trampos entre 2022 e 2026 com o campo de modelo de trabalho preenchido (n = 16.318). Por ano: 5.187 em 2022, 3.879 em 2023, 3.091 em 2024, 2.724 em 2025 e 1.437 em 2026.
- Recorte de 2026: parcial, até 20 de julho de 2026 (n = 1.437: 374 home office, 446 híbridas e 617 presenciais). Deve ser lido como recorte, não como fechamento anual.
- Candidaturas: a métrica é o
opportunities.applies_count, indicador agregado oficial da plataforma. Como candidaturas acumulam com o tempo de exposição, a análise de atratividade considera apenas vagas com pelo menos 30 dias desde a publicação. - Taxa de candidatura: conversão de visualização da vaga em candidatura. Não indica qualidade final, contratação ou retenção.
- Percentuais e médias foram arredondados para facilitar a leitura. Os percentuais desta apuração diferem dos publicados na versão de 2025 deste artigo porque o recorte da base foi refeito.







