Parem de pedir aos criativos para trabalharem de graça

2015-11-26_trabalhar_de_graça

Quando Steve Jobs estava procurando um designer para criar o logo de sua empresa pós-Apple, a NeXT, ele pediu ao designer Paul Rand que criasse algumas amostras antes de contratá-lo formalmente. Mas, ao invés de receber peças de graça, Jobs aprendeu uma lição sobre ética de trabalho do lendário designer.

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Jobs recordou a resposta de Rand durante uma entrevista em 1993:

Não. Eu resolverei o seu problema. E você me pagará. E você não precisa usar a solução. Se quiser opções, vá conversar com outras pessoas. Mas eu resolverei seu problema da melhor maneira que sei fazer. E você pode usar ou não. Cabe a você decidir. Você é o cliente. Mas você me paga.

O que Jobs pediu não é incomum. De fato, é corriqueira a prática de pedir a profissionais criativos que gastem horas criando um trabalho original personalizado de graça, antes de serem contratados.

O trabalho especulativo, também chamado de “amostra criativa”, é parte do processo de contratação de muitos projetos. É normalmente requisitado pelo governo e por grandes empresas multinacionais e casualmente requisitado em reuniões de prospecção de clientes. Mas fazer um trabalho especulativo é enormemente caro para as agências e para os artistas, que precisam separar recursos de outros clientes na esperança de conquistar um novo trabalho.

Um curta feito pela agência canadense Zulu Alpha Kilo captura o quanto é hilário e ridículo pedir uma amostra em outros contextos. Em inglês:

O vídeo de 2:33 minutos mostra entrevistas reais com vários donos de empresas de Toronto, onde a Zulu Alpha Kilo está sediada. Com mais de 1,6 milhão de visualizações no Youtube, o vídeo se tornou viral desde que foi lançado em um evento local – causando uma dor coletiva na indústria criativa mundial.

“Nós estamos fazendo isso para ajudar a indústria como um todo e para educar nossos clientes sobre como escolher o parceiro criativo certo”, diz Zak Mroueh, fundador da agência.

Mas, sem o trabalho especulativo, como os clientes escolherão a melhor agência para se trabalhar?

“Meu conselho é: retire a parte criativa da negociação. Com quem você tem a melhor química? Com quem você realmente quer trabalhar junto?”, afirma Mroueh. “Então, olhe seus portfólios e veja quem tem, consistentemente, feito um trabalho brilhante”.

Pelo menos para a empresa canadense, a decisão de não fazer trabalho especulativos trouxe resultados – ou não tem feito a diferença em termos de crescimento. Em cinco anos, a saiu de de 25 para 75 profissionais.

Organizações profissionais criativas, como o Instituto Americano de Artes Gráficas e a iniciativa No!Spec também se posicionaram contra o trabalho não pago. Eles aconselham os criativos a serem sensatos quando forem entrar em projetos pro bono, estágios não pagos, concorrências – e até quando forem participar de projetos de crowdsourcing.

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Texto originalmente publicado no site Quartz. Traduzido e adaptado pela equipe do Tutano.

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