“Pensando na minha trajetória até aqui posso dizer que me diverti bastante”

2016-04-27_pingpong_Eduardo_Battiston

Eduardo Battiston assumiu recentemente a função de líder criativo da Isobar Brasil. Mas um cargo de tamanha envergadura – responsável por motivar a inovação dentro da agência – foi alcançado depois de muito suor, páginas em branco e um longo caminho.

Leia também:
» Parem de pedir aos criativos para trabalharem de graça
» Fábio Astolpho: “Não acredito em criativo que fica atrás da tela do computador 24 horas”
» Tárik Potthoff: “O mais importante no ambiente de trabalho é sempre ter um propósito”

A trajetória, desde sempre em digital, foi dividida entre empresas brasileiras, um período na Espanha e um projeto pessoal. Mas foi na Isobar que Eduardo percorreu mais tempo da sua carreira. Em equipe ou trabalho solo, acumula mais de 60 prêmios nos principais festivais da publicidade, sendo 7 Leões em Cannes. Tudo com suor, como ele diz. Ter passado pelos mais diversos desafios, desde a época de trainee, permite que hoje conheça as angústias, dores e bloqueios dos seus liderados. Confira a entrevista completa:

1. Quando você decidiu que queria trabalhar nessa área?

Em 1999, eu decidi trabalhar na área de Criação depois de breves experiências como cliente e como atendimento. Foi uma decisão intuitiva, pensando que meu dia a dia seria mais divertido trabalhando na Criação. No meio do caminho, descobri que tinha talento para a coisa e eu estava certo: minha vida ficou mais divertida.

2. Você começou como trainee na Isobar. Como aconteceu a construção da sua carreira, passando também pela experiência de trabalhar na Europa?

Minha carreira foi construída com muito suor. Aprendi tudo que sei na prática mesmo. Depois dessa verdadeira escola de 1 ano e pouco na AgênciaClick, em 1999, fui trabalhar na W/Brasil no recém-criado núcleo de digital. Foi muito bacana criar junto com grandes nomes do mercado da propaganda. Algum tempo depois, aceitei uma proposta para trabalhar na Globo.com, no Rio. Depois de quase três anos, decidi voltar para São Paulo já como Diretor de Criação da Pop Com – agência digital do grupo da W/Brasil. Em 2005, junto com alguns amigos, montamos a Quente Interativa – uma agência digital com foco em inovação. A verdade é que os clientes não estavam preparados para novas tecnologias como RFID, Internet of Things. Por isso, aceitei a proposta para voltar para AgênciaClick Isobar como Diretor de Criação. Em quase quatro anos, conseguimos fazer projetos memoráveis. Essas ideias me levaram até a Espanha: recebi um convite para ser Diretor de Criação da JWT Madri. Foram dois anos de muito aprendizado e conquistas. Quando decidi voltar, aceitei a proposta para ser Diretor de Criação Executivo da Isobar, cargo que ocupei nos últimos quatro anos. Há um mês, fui promovido a Chief Creative Officer da agência no Brasil. Bom, pensando na minha trajetória até aqui posso dizer que me diverti bastante.

3. Como é a sua rotina, o trabalho em equipe e seu papel na criação hoje?

Minha função principal agora é garantir as melhores condições para que a equipe de Criação possa subir a barra criativa em todos os clientes da agência. É um trabalho muito focado nas pessoas, deixando-as tranquilas e motivadas para buscar ideias inovadoras, que tenham impacto nos negócios dos clientes. E, claro, que tenham impacto também na sociedade.

4. O que a experiência e aprendizado de Copywriter traz hoje para a sua rotina e para a função de líder criativo da empresa?

Quem nunca teve como rotina encarar uma folha de papel em branco todos os dias, não pode ser um bom líder criativo. É importante conhecer o processo criativo, suas angústias, suas dificuldades, seus encantos. Só assim você entende o ambiente que precisa ser criado para que as boas ideias sejam cultivadas. E, claro, não perder nunca a capacidade de se apaixonar por uma ideia.

5. Tem algum projeto favorito em que você tenha participado?

Sem dúvida, Fiat Live Store. Um projeto ambicioso que mudou a forma pela qual as pessoas experimentam carros na internet.

6. A publicidade tem o poder de criar debates fortes na sociedade. Como é possível fazer isso de forma construtiva e empática?

Eu acredito que mais do que slogans, as marcas podem abraçar causas. E quanto mais relevantes para a sociedade são essas causas, mais relevantes as marcas ficam.

7. Como você descreve um profissional de talento?

Um profissional de talento é, acima de tudo, uma pessoa com muita vontade de aprender e crescer. E com pouco medo de errar. De nada adianta uma mente brilhante, sem vontade de criar seu próprio destino. Uma coisa que sempre me fascinou nessa profissão é que uma ideia simples pode mudar a sua carreira.

8. Qual é a sua plataforma favorita atualmente?

Instagram. Acho muito útil para dar uma respirada no trabalho, de vez em quando.

9. O que você espera fazer amanhã?

Continuar me apaixonando loucamente por ideias inovadoras.

10. Qual é o seu hobby?

Faço muitas outras coisas além de trabalhar, acredite se quiser. Entre elas, coleciono discos de vinil.

Gostou dessa história? Indique pra gente pessoas que você gostaria de ver por aqui pelo e-mail tutano@trampos.co. Confira outras entrevistas no link.

Confira oportunidades na área de Criação

DEIXE UM COMENTÁRIO