O que um ano de rejeições de emprego ensinaram sobre me apresentar

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Após enviar centenas de cópias do meu currículo para dezenas de empresas no último ano, eu percebi que não estava chegando a lugar algum porque minha abordagem estava errada.

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Fiz tudo o que aprendi: criei uma lista das 20 empresas onde queria trabalhar, customizei meu currículo para cada vaga, fiz networking online e offline. Conheci algumas pessoas fantásticas pelo processo, mas nada me aproximou de conquistar uma vaga ou mesmo uma entrevista.

O que eu não consegui fazer foi me perguntar coisas difíceis logo no início.

Minha história começa em maio de 2014 quando, após 10 anos construindo uma carreira de sucesso no Oriente Médio, decidi me mudar para Silicon Valley em busca de oportunidades em empresas de tecnologia. Eu queria aprender e ser parte de algo grandioso. Sabia que seria um desafio recomeçar minha carreira em um novo mercado, especialmente um que é densamente populado por talentos, então eu esperava que o processo fosse levar alguns meses.

À medida que meses se tornaram um ano e nenhum progresso acontecia, entrei em um estado de pânico. Sentia algo errado. Algo estava errado. Como é que ninguém estava interessado em saber sobre minhas experiências? Como é que uma pessoa que trabalhou com a realeza e com empresas da Fortune 500 não atiçava a curiosidade de nenhuma empresa?

Como uma publicitária, eu decidi reenquadrar o desafio. Ao invés de pensar como candidata, tinha que me imaginar como produto e identificar maneiras de criar demanda sobre mim. Eu apliquei tudo o que sabia sobre marketing para criar uma campanha que mostraria às empresas de Silicon Valley o tipo de valor que eu traria para suas equipes.

O experimento foi um relatório que eu criei para o Airbnb que destacava o compromisso e o potencial de se expandir para o Oriente Médio, um mercado que eu sou extremamente familiar e, até recentemente, eles não tinham focado. Eu gastei alguns dias juntando dados sobre a indústria do turismo e sobre a atual presença da empresa no mercado e identifiquei oportunidades estratégicas para eles.

Eu lancei o relatório no Twitter e marquei os fundadores e os líderes do Airbnb. Por trás das câmeras, também compartilhei, por e-mail, com muitos contatos pessoais e profissionais e os encorajei a compartilharem com quem eles achassem relevante – a maioria o fez, assim como alguns dos maiores vice-presidentes, empreendedores e muitos colegas ao redor do mundo.

Poucas horas após o lançamento do relatório, um recrutador do Airbnb entrou em contato comigo para marcar uma entrevista. Em poucos dias, eu tive entrevistas com muitas empresas de tecnologia da área. E, em poucas semanas, tinha encontrado uma excitante nova função e, desde então, estou na Upwork, uma plataforma online que conecta empresas com freelancers.

Minha bem sucedida abordagem – junto com um pouco de sorte e muita estratégia nas mídias sociais – me colocou no radar de todos. Ela abriu todas as portas que eu tinha sonhado.

Eu percebi que se criasse algo que inspirasse pessoas e tivesse grande audiência, forçaria os recrutadores a tomarem conhecimento. Isso aconteceu devido aos milhões de impressões nas mídias sociais e à cobertura da mídia global, mas as lições que aprendi disso vão além do poder de uma boa campanha de marketing. O que eu aprendi, em retrospectiva, é provavelmente uma das lições mais importantes da minha carreira até agora.

O projeto destacou as qualidades que eu queria mostrar aos recrutadores. Mais importante, ele também resolveu uma das maiores fraquezas que os recrutadores viam em mim. No meu caso, tendo me mudado da Jordânia para a Califórnia, eu estava em desvantagem. Eu não tinha uma network de pessoas com quem tivesse trabalhado no passado, pessoas que conheciam o meu trabalho e que me trariam para suas equipes. A empresa que eu fundei não tinha o mesmo reconhecimento que possuía no Oriente Médio. Eu só tinha olhado para essas deficiências através da minha perspectiva, até recentemente.

O que eu não consegui enxergar era a perspectiva da maioria dos recrutadores, o mercado de onde vim era irrelevante.

O que o relatório me ajudou a fazer foi mostrar, não falar, meu valor além das dúvidas. Ele transformou minha aparente fraqueza em força: uma perspectiva internacional com a promessa de entendimento de novos mercados. E, apesar de que nenhuma das vagas em que fiz entrevista focava na expansão, ao abordar e desafir minha fraquezas, pude reenquadrar a conversa sobre minhas forças.

Em quase todas as entrevistas que os candidatos fazem, há aquela pergunta clichê: “Qual sua principal fraqueza?”. A maioria das pessoas são treinadas para responder essa questão apresentando uma força como uma fraqueza. Como candidatos, nós temos a tendência de pensar no que a pessoa do outro lado da mesa quer ouvir. Se eu aprendi alguma coisa com essa experiência, é que perguntar a você mesmo uma versão diferente dessa questão vai te melhor preparar para qualquer conversa com um recrutador, um potencial cliente ou, até mesmo, um potencial investidor.

A questão que eu deveria perguntar a mim mesma não era “Qual a minha fraqueza?”, mas sim “O que eu observo como fraqueza em minhas experiências?”.

Se eu tivesse me perguntado isso e tivesse sido honesta com a resposta o quanto antes, teria entendido que a razão pela qual eu não estava progredindo não era, necessariamente, por causa de erros no modo como eu me candidatava, mas era o modo como eu estava me comunicando. Ao invés de me concentrar no porquê de eu me encaixar em uma empresa de alto nível, eu deveria falar sobre como eu me destacaria.

Nina Mufleh, a autora do texto, é Freelancer Growth Manager na Upwork, uma plataforma online de talentos para freelancers. Texto originalmente publicado no site Harvard Business Review. Traduzido e adaptado pela equipe do Tutano.

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