3 regras atemporais para a tomada de decisões difíceis

2015-12-11_decisoes-rapidas

Eu olhei o cardápio por vários minutos, sofrendo com indecisão, cada item me atraindo de diferentes formas. Talvez devesse pedir todos…

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Isso é uma decisão boba que não merece deliberação? Talvez. Mas eu aposto que você passou por isso. Se não foi sobre comida, então sobre qualquer outra coisa.

Nós gastamos excessivas quantidades de tempo, e tremendas quantidades de energia, fazendo escolhas entre opções igualmente atrativas nas situações cotidianas. O problema é que, apesar de serem igualmente atrativas, também são diferentemente atrativas, com perdas que requerem compromisso. Mesmo quando decidimos entre salada (saudável e leve), salmão (proteína) e ravióli (saboroso, alto nível de carboidratos).

Se essas decisões mundanas tomam tempo e energia, imagine decisões maiores que precisamos tomar nas organizações o tempo todo. Quais produtos deveríamos desenvolver e quais deveríamos cancelar? Quem devemos contratar ou demitir? Devo iniciar aquela conversa difícil?

Essas questões são seguidas por um infinito número de outras questões. Se eu vou ter aquela conversa difícil, quando devo fazê-la? E como deveria começar? Devo ligar para eles ou me encontrar pessoalmente ou enviar um e-mail? Devo conversar publicamente ou em privado? Quanta informação devo compartilhar? E assim por diante…

Então, como podemos lidar eficientemente com diferentes decisões? Eu uso três métodos, dois dos quais eu falo sobre em meu livro, Four Seconds, e o terceiro que eu descobri semana passada.

O primeiro método é usar hábitos como um modo de se reduzir a fadiga em decisões rotineiras. A ideia é que se você construir um hábito – por exemplo: sempre comer salada no almoço – então vai evitar essa decisão e pode guardar sua energia para outras coisas.

Isso funciona para decisões rotineiras e previsíveis. Mas e para as decisões imprevisíveis?

O segundo método é usar o pensamento “se/então” para simplificar escolhas imprevisíveis. Por exemplo, digamos que alguém constantemente me interrompa e que eu não saiba como responder. Minha regra “se/então” poderia ser: se a pessoa me interromper duas vezes em uma conversa, então eu direi algo.

Essas duas técnicas – hábitos e “se/então” – podem ajudar a simplificar muitas escolhas rotineiras típicas que lidamos em nossas vidas.

O que ainda não resolvemos são as grandes decisões estratégicas que não são habituais e não podem ser previstas.

Eu descobri uma solução simples para se tornar mais eficiente na tomada de decisões desafiadoras enquanto estive, semana passada, conversando com o CEO de uma empresa de tecnologia. Eles estavam enfrentando um número de decisões únicas, cujos resultados não podiam ser previstos com exatidão.

Essas eram decisões do tipo: como responder a uma ameaça competitiva, em quais produtos deveriam investir, como melhor integrar uma aquisição, onde reduzir o orçamento, como organizar relações hierárquicas, e assim por diante.

Essas eram, precisamente, os tipos de decisões que podem demorar por semanas, meses ou até por anos, atrasando o progresso de organizações inteiras. Essas decisões são impossíveis de serem transformadas em hábitos e não podem ser resolvidas com as regras “se/então”. Mais importante, são decisões onde não há resposta certa.

Equipes tendem a permanecer nessas decisões por longos períodos, coletando mais dados, pesando excessivamente os prós e contras, solicitando opiniões adicionais, atrasando enquanto aguardam – torcendo para – surgir uma resposta clara. Mas, e se pudéssemos usar o fato de que não há resposta certa para tomar uma decisão mais rápida?

Estive pensando sobre isso enquanto conversava sobre a mesma decisão que tivemos no passado sobre o que fazer com um certo negócio, quando o CEO disse:

“São 15:15h”, ele disse, “Precisamos tomar uma decisão nos próximos 15 minutos”. “Espere”, o CFO respondeu, “esse é uma decisão complexa. Talvez devêssemos continuar a conversa no jantar ou na próxima reunião”.

“Não”, o CEO estava decidido, “tomaremos a decisão nos próximos 15 minutos”. E, quer saber? Conseguimos.

Assim eu cheguei ao meu terceiro método de se tomar decisões: use um cronômetro. Se os problemas foram examinados, as escolhas são igualmente atrativas e não há resposta certa, então admita que não há um caminho claramente certo a ser tomado e apenas decida.

Se puder manter a decisão pequena e com o mínimo de investimento para testá-la, melhor. Mas se não puder, então apenas tome a decisão. O tempo que você poupa ao não deliberar inutilmente irá render imensos dividendos na produtividade.

Espere, talvez você proteste. Se eu gastar mais tempo nisso, uma resposta irá surgir. Claro, talvez. Mas, 1) você vai gastar tempo precioso ao esperar por clareza e, 2) a clareza dessa decisão vai te seduzir a hesitar em uma esperança infrutífera por clareza em muitas outras decisões.

Tome a decisão e siga em frente.

Tente agora. Escolha uma decisão que você está adiando, dê-se três minutos, e tome-a. Se você estiver sobrecarregado com muitas decisões, pegue um papel e escreva uma lista. Dê a você mesmo uma determinada quantidade de tempo e, então, uma por uma, tome a melhor decisão que puder no momento. Tomar uma decisão – qualquer decisão – reduzirá sua ansiedade e permitirá que siga em frente. O melhor antídoto para o sentimento de sobrecarga é o impulso para frente.

E, em relação ao meu almoço, eu pedi salada. Era a melhor opção? Não sei. Mas, pelo menos, não estou parado tentando decidir o que pedir.

Texto publicado originalmente no site Harvard Business Review por Peter Bregman. Traduzido e adaptado pela equipe do Tutano.

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